As bizarras mortes dos Reis de Portugal

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Portugal teve vários Reis e Rainhas séculos atrás.

Alguns sofreram mortes naturais, outros encontraram a morte em combate. Já certos monarcas tiveram mortes … diferentes, digamos assim. 

Numa adaptação à Língua Portuguesa utilizada no Brasil, transcrevo um artigo publicado na Vortex.net em 2020 e 2021.

Consultei a Dra. Maise Sampaio, dermatologista CRM-GO 12756 | RQE 8130, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Formada na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, concluiu Residência Médica em Dermatologia na Universidade Federal de Uberlândia, obtendo o Título de Especialista em Dermatologia além de ser colunista do site Dermatologia & Saúde. Ou seja, uma verdadeira especialista no assunto, a qual agradeço a atenção e carinho dispensados.

Pedi para que ela explicasse melhor a causa mortis do rei Felipe I, haja vista a peculiaridade do ocorrido

Vamos aos fatos

Conhecido como El Rey de los Papeles, tal era a sua obsessão pela organização escrita, D. Filipe II de Espanha (e I de Portugal) nasceu em Valladolid, a 21 de maio de 1527, e faleceu em São Lourenço do Escorial, a 13 de setembro de 1598, vítima de uma fatalidade incomum. 

Filho de D. Carlos V e de D. Isabel de Portugal, era neto de D. Manuel I, e assim, legítimo candidato à sucessão do trono português, na sequência do desastre de Alcácer Quibir, onde o rei D. Sebastião pereceu. 

Filipe I
Rei Filipe II de Espanha (Felipe I, de Portugal)

Foi aclamado Rei de Portugal nas cortes de Tomar, tornando-se o décimo oitavo rei português, na condição de que respeitasse os foros e isenções de Portugal e que apenas nomeasse como governadores, portugueses ou membros da família real.

Era um homem culto, instruído e muito inteligente. Colecionava arte e tinha um particular interesse pela arquitetura. Elegeu a religião como o pilar de seu governo, tendo a pretensão de assumir o controle sobre o modo como a Igreja funcionava nos seus territórios, o que desagradou aos papas Pio V e Paulo IV.

Em Portugal, a intervenção feita no Convento de Cristo, sob seu comando, trouxe uma obra incrível da engenharia hidráulica: o Aqueduto do Convento. 

D. Filipe I era conhecido por ser um burocrata que passava horas no seu gabinete, escrevendo tudo, desde detalhes de negócios do reino a outros assuntos de governo, acumulando resmas e resmas de papel escrito. 

O único fato que lhe impedia de continuar escrevendo era uma inflamação reumatoide — conhecida como gota — que lhe causava dores intensas  e que deixava suas mãos imobilizadas.

Sofria também das chamadas febres terçãs (ou seja, picos de febre a cada três dias, sinal típico da malária), e de um edema que o prendia à cama durante dias seguidos. 

Apesar de não ter uma saúde forte, não foi nenhuma doença grave que matou o Rei: na madrugada de 13 de setembro de 1598, um dos reis mais poderosos do mundo acabou por falecer de um ataque de pitiríase, causado por uma invasão de piolhos!

Amor Imenso por Portugal

A dinastia filipina não é uma das mais apreciadas em Portugal. Ninguém guarda boas recordações do tempo em que o país perdeu a sua independência para Espanha. Foram 3 os reis espanhóis que governaram Portugal durante esse período e Filipe I foi o primeiro deles.

Mas, na realidade, Filipe I tinha um amor imenso por Portugal. E vale a pena conhecer a sua história e perceber a razão desse amor e respeito. Filipe I era filho de mãe portuguesa: Isabel de Portugal, casada com o então rei de Espanha, Carlos V. Foi a sua mãe que lhe incutiu o amor pelo seu país natal. 

Durante toda a sua infância, embora tenha sido criado em Madrid, Filipe I tinha a companhia de vários portugueses, aprendeu a falar português e adorava a comida e os quitutes portugueses. Tudo por influência da sua mãe. Esta educação esmerada iria refletir-se alguns anos mais tarde na forma como ele se relacionava com Portugal e com os portugueses.

Filipe II de Espanha
Rei Filipe II de Espanha (Felipe I, de Portugal)

Imediatamente após ser coroado Rei de Portugal, Filipe I decidiu passar 3 anos em Lisboa para aprender os costumes locais e compreender a cultura do país. Fez questão de manter a autonomia portuguesa com um grau bastante elevado, muito superior ao das outras regiões espanholas conquistadas. Incentivou a preservação e divulgação da língua portuguesa, exigindo que todos os documentos oficiais continuassem a ser escritos em português, mesmo aqueles que deveriam ser enviados para Madrid.

E não apenas isso: mandou recuperar monumentos e iniciou um ambicioso programa de obras públicas em Portugal. As suas decisões contribuíram largamente para o desenvolvimento do país naquela época. Foi a falta de sensibilidade e o centralismo exagerado dos seus sucessores que ditaram fim da União Ibérica.

E como curiosidade final: Filipe I tinha um amor tão grande por Portugal que mandou fazer um crucifixo, e o seu próprio caixão, utilizando a madeira da nau portuguesa Cinco Chagas. 

O nacionalismo português dos séculos seguintes tratou de demonizar a dinastia filipina e todos os seus governantes, mas Filipe I merece, sem dúvida, que os portugueses conheçam a sua história e o seu amor por Portugal.

A Pitiríase 

Segundo a Dra. Maise Sampaio, “temos de ter em mente as condições sanitárias da época, da corte e o estágio dos conhecimentos clínicos. Tanto a pitiríase, quanto a infestação de piolhos, isolados, não são condições capazes de levar uma pessoa à óbito”. 

Entretanto, temos as informações de uma inflamação reumatoide, de uma malária e de um edema. “O Rei deveria ter uma baixa imunidade constante”. 

A infestação de piolhos, aliada ao frenesi das coceiras causadas pela pitiríase deve ter desencadeado uma infecção generalizada, uma septicemia, o que acabou levando o Rei à morte. O conhecimento médico da ocasião era insuficiente para detectar toda a complexidade do quadro clínico pelo qual o Rei passava”.  

O termo pitiríase é derivado do grego “pityron”, que significa farelo. Descreve-se a Pitiríase como sendo uma patologia cutânea caracterizada pela produção de células epiteliais que se esfarelam. 

Esta enfermidade manifesta-se de diferentes maneiras e além de causar a descamação, apresenta machas acastanhadas, amarelas, brancas ou róseas na pele, cada uma delas tendo causas, sintomas e tratamentos distintos dependendo de seu tipo.

1) Pitiríase versicolor: conhecida como “pano branco” ou “micose da praia”. É uma infecção fúngica da camada superficial da pele, que causa manchas brancas ou escuras em áreas mais oleosas do corpo, tais como tronco, pescoço e braços.

Pitiríase versicolor: manchas acastanhadas e descamativas em tronco, pescoço e braços.

2) Pitiríase alba: manchas claras descamativas e secas, comum em crianças. Raramente coçam e melhoram com uma hidratação adequada da pele.

Pitiríase alba: mancha hipocrômica com pequenas pápulas e descamação discreta.

3) Pitiríase rósea: pequenas manchas rosadas de aparecimento súbito, comum em adultos jovens. Geralmente, as lesões começam por uma mancha grande e única, chamada de “medalhão”, seguidas pelas outras lesões ovais e menores. 

Pitiríase rósea: Mancha eritematosa constituindo o "medalhão".

 4) Pitiríase capitis: é uma doença inflamatória crônica da pele que cursa com manchas vermelhas e descamação gordurosa no couro cabeludo. Conhecida como “caspa”.

5) Pitiríase rubra pilar: doença de pele rara e de difícil tratamento. Manifesta-se com manchas vermelhas e grossas no couro cabeludo, palmas e plantas, além de pequenas pápulas nas áreas de pelos. Podem levar anos para desaparecer.

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6) Pitiríase liquenóide: pequenas pápulas ou manchas avermelhadas com leve descamação distribuídas pelo corpo. Iniciam-se róseas e podem evoluir para o marrom e deixar manchas brancas na pele quando se resolvem”. 

NOTA DO AUTOR

De qualquer forma, se você apresentar qualquer lesão parecida com as acima, não se automedique. Seu dermatologista de confiança é o maior aliado para se conseguir chegar em um diagnóstico correto e tratamento adequado.

D.Pedro V aos 23 anos – 1860

D. Pedro V

Para terminar, ao menos por ora, sobre as mortes estranhas do Reino Português, temos a curta estória da vida do Rei D. Pedro V.

Obteve direito à posse do trono aos 16 anos com morte de sua mãe, mas assumiu o comando somente dois anos mais tarde. Dotado de uma inteligência ímpar, (aos 2 anos já dominava três diferentes idiomas).

D. Pedro V casou-se por procuração, conheceu pessoalmente a esposa um ano após o casamento, apaixonou-se por ela e ficou viúvo 14 meses depois.

Completando as tragédias pessoais, encontrou a morte numa caçada ao lado de seus irmãos.

D.Pedro e seus irmãos beberam água imprópria ao consumo de um poço em Vila Viçosa, por onde passaram — é bom esclarecer que as caçadas, na época, duravam semanas, eram grandes eventos.

Pouco depois do regresso à Corte, morreu o Infante D. Fernando, seguido do Rei D. Pedro e do Infante D. João

D.Pedro V morreu com apenas 24 anos, em 11 de novembro de 1861. O povo suspeitando de envenenamento, revoltou-se, tal era a afeição que o jovem Rei tinha junto aos portugueses. 

Na literatura comum, a causa da morte declarada passou a ser a febre tifóide.

D. Luís, o outro irmão de D. Pedro V não participou da aventura e estava na corveta Bartolomeu Dias (da qual era comandante), e, em alto mar, recebeu a notícia de que se tornara o novo Rei de Portugal. 

FONTES

1 – https://www.infoescola.com/doencas/pitiriase/ 

2 – https://dermatologiaesaude.com.br/o-que-e-pitiriase/ 

3 – https://dermatologiaesaude.com.br/ 

4 – https://www.vortexmag.net/d-filipe-i-o-rei-que-morreu-de-ataque-de-piolhos/ 

5 – https://www.dicio.com.br/pitiriase/ 

6 – https://www.vortexmag.net 

7 – https://www.maisesampaio.com.br/